segunda-feira, 27 de setembro de 2010

ARTES VISUAIS NA CRECHE

Maria Cristina dos Santos

“A inteireza, a certeza, a densidade do momento de criação estão presentes no adulto que cria e na criança que brinca. É visível a concentração, o corpo inteiro presente no ato de brincar de uma criança. È a sensação de estar inteiro no que está realizando o que une o artista à criança. A criança brinca porque não poderia ser de outra forma. Por isso desenha, por isso cria.”
Ana Angélica Albano Moreira
Toda criança desenha. Pode ser com lápis e papel ou com caco de tijolo na parede

A criança pequena desenha pelo prazer do gesto, pelo prazer de produzir uma marca. É um jogo de exercício que a criança repete muitas vezes para certificar-se do seu domínio sobre o movimento.Vem daí a importância que na educação infantil garanta na sua rotina como atividade permanente: desenhar, pintar, recortar e colar e de esculturas, pois a criança tem um tempo para se apropriar para se certificar –se do seu domínio sobre o movimento.
Um fato pode ser comprovado pelo número de revista com “atividades”.
Sinto que os professores têm necessidade de trazer para crianças sempre novas propostas, porém a criança não tem tempo para se apropriar, ela sempre estará experimentando, ou “explorando” como ouço de muitos professores.

O desenho da criança para ela uma linguagem como o gesto ou a fala.

Algumas dicas:
  • O desenho é a primeira escrita da criança, exatamente por isso o educador deve respeitar.
  • Como diria uma grande amiga às discussões sobre o “belo” estão superadas. A beleza está no olhar de quem vê, por isso não faça não interferência na produção da criança depois de concluída.
  • Não escreva o nome da criança sob o desenho ou a pintura, escreva atrás pequeno para que depois possa identificar. Isto é um sinal de respeito a sua produção;
  • Apresentar produções de crianças de diferentes faixas etárias



MGB
  • Disponibilizar diversos materiais (pincéis, tintas, lápis, giz de cera, papéis).




  • Roda de apreciação




  • Expor obras de artistas para que ela comece a estabelecer uma relação com o que faz e a produção do mundo adulto
Miró


Portinari





A ação do educador
  • Orienta a criação, participando do processo com interferências pontuais, e observa no trabalho pronto as singularidades da produção e a familiaridade com o universo da arte. Quanto menor a autonomia da turma, maior a participação do professor no direcionamento das tarefas.
Roda de apreciação


  • Instigar a criança a pensar sobre sua própria produção e a dos amigos;
  1. Apresentar a produção e nomear quem fez;
  2. Quando apresentar a obra de artista dar informações sobre as imagens sem se antecipar às colocações da garotada – esse é o momento de pensar e sentir.
  3. Questionar :
  • O que eles estão vendo;
  • Quais formas foram utilizadas
  • Chamar atenção para forma de utilização dos espaços;
  • O que é diferente nas produções;
  • O que é parecido
Percurso criativo
  • È importante datar a produção das crianças;
  • Retomar de tempos em tempos;
  • Rever antigas produções das próprias crianças;
  • Expor a produção na sala;
  • Valorizar a produção da criança sem intervir na mesma;
Alguns equívocos correntes:

  • Questionar o que a criança desenhou e escrever sob o desenho.
    O desenho da criança nesta fase, não tem compromisso com representação de qualquer espécie. A Criança poderá até nomear seu desenho se o adulto insistir em saber o que é, contudo para ela é apenas um movimento. Se depois de algum tempo perguntar novamente ela com certeza nomear algo diferente.
  • Insistir em ensinar o nome das coresNesta fase interessa pela cor. A cor aparece por acaso e não por necessidade, é a cor que estava próxima da criança enquanto desenhava, porém é importante que o educador apresente opções para a criança. E quando ela perguntar ou dizer o nome da cor é importante que diga o nome correto.
  • Minha criança não desenha nada !Os rabiscos realizados pelos menores, denominados garatujas, tiveram o sentido ampliado sob o olhar da pesquisadora norte-americana Rhoda Kellogg
  • O desenho é espontâneo ou inato?A história e a evolução de diferentes percursos artísticos indicam que está atividade é aprendida, que envolve ações, reflexões e pesquisas que influenciam os caminhos desta aprendizagem.
Para saber mais:


Centro de Educação Infantil Jardim Rodolfo Pirani.
Rua Cinira Polônio, 20 – Jardim Rodolfo Pirani – S.Paulo – SP – Tel 011 -27514896
Biografia
  1. O espaço do desenho: A educação do educador, Ana angélica Albano Moreira, 128 pág., Edições Loyola
  2. Para Gostar de Aprender Arte, Rosa Iavelberg, 128 págs., Ed. Artmed
  3. Formas de Pensar o Desenho, Edith Derdyk. Editora Scipione
  4. O Desenho da Figura Humana, Edith Derdyk. Editora Scipione

2 comentários:

Beth disse...

Olá amiga, seu Blog é muito criativo, adorei.
Gostaria que vc conhecesse o meu blog, a minha idéia é auxiliar professores com trabalhinhos, pesquisas que ele não tenham muito tempo pra realizar. Dá uma olhadinha lá e comenta e de sugestões, sou nova e preciso de ajuda. Parabéns por suas idéias. Bjs!

Educação Livre disse...

Olá Cris
Quando leio os seus posts ou posts dos demais colaboradores do seu blog fico encantada. Fico com muita vontade de matricular minha filha de 3 anos nesse espaço.
Ontem ouvi a profª de minha filha relatando que ao solicitar que as crianças da tuma desenhassem, foi "intervindo" dizendo: Como é uma arvore??? Agora façam dois traços para o troco. Agora desenhem a copa. Agora desenhem as flores com cabinho...

Nossa!!! Me diga, onde está o respeito pelo percurso criativo??
Onde está o respeito pela criança?

Abraços,
Débora Martins
debora.m@globo.com