domingo, 4 de abril de 2010

62 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

Um outro mundo é possível!

Bete Godoy


Em 10 de dezembro de 1948 foi criada pela ONU a Declaração Universal dos Direitos Humanos e como é dito em seu preâmbulo "como o ideal a ser atingido a todos os povos e todas as nações, com o objetivo de cada indivíduo e cada orgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades..."

Baseada na DUDH a Declaração dos Direitos da Criança foi criada em 20/10/1959 para complementar o que já era mencionado anteriormente e dedicar a fase mais importante da vida das pessoas mais carinho e atenção.

A problemática da infância e da adolescência adquire especial relevância no dramático contexto internacional atual, assim como na situação no nosso país, tão marcada por uma história de exclusão, desigualdade e violência.
Diante de tais fatos a educação em direitos humanos vem se afirmando em toda América Latina e privilegia os direitos das crianças e adolescentes enfatizando na educação três dimensões:
1. Formação de sujeitos de direitos em nível pessoal e coletivo.
2. Promover processos de “empoderamento”, principalmente orientados aos atores sociais que historicamente tiveram menos poder na sociedade, poucas possibilidades de influir nas decisões e nos processos coletivos. Liberando, o poder, a potência que cada pessoa tem para que ela possa ser sujeito de sua vida e ator social.
3. Processos de transformação necessários para construção de sociedades verdadeiramente democráticas e humanas. Vera Maria Candau chama de “educar para o nunca mais”, para resgatar a memória histórica, romper a cultura do silêncio e da impunidade ainda presente em nosso país.
Somente assim é possível construir uma cidadania em que se articulem igualdade e diferença para todos.











No âmbito educacional os educadores a partir do projeto pedagógico de sua unidade devem oportunizar no cotidiano das instituições vivências de práticas culturais que sejam estimuladoras do desenvolvimento das crianças, acolhedoras de suas diversidades e promotoras de:

Um pensar criativo e autônomo, conforme a criança aprende a opinar e a considerar os sentimentos e a opinião dos outros sobre um acontecimento, uma reação afetiva, uma idéia, um conflito.
Uma sensibilidade que valoriza o ato criador e a construção de respostas singulares pelas crianças, em um mundo onde a reprodução em massa sufoca o olhar.
Uma postura ética de solidariedade e justiça que possibilite à criança trabalhar com uma diversidade de pessoas e de relações que caracteriza a comunidade humana, e a posicionar-se contra desigualdade, o preconceito, a discriminação e a injustiça.









Relacionar-se com outras crianças de modo mutuamente agradável constitui tarefa fundamental não só pela importância das interações infantis na aprendizagem, já apontada, mas em contrapartida à crise de solidariedade que marca hoje nossa sociedade, tão individualista.












A Educação em direitos humanos convida todos a aprender com as crianças a olhar e a virar pelo avesso, a subverter a ordem estabelecida. Vivenciar situações de aprendizagens ligadas às práticas culturais não significa meramente reproduzi-las é preciso que os educadores questionem a serviço de quem ela está posta e qual a sua contribuição para uma sociedade mais justa. Trouxemos esta temática por reconhecer que no período de 0 a 6 anos , os cuidados e as interações afetivas e socioculturais ganham relevância para que as crianças cresçam e para que se tornem pessoas promotoras de paz e o papel do adulto têm destaque tendo em vista a sua responsabilidade pela formação moral seja dos filhos ou dos alunos.

Para saber mais:

1-Kramer, Sonia e Bazílio, Luiz Cavalieri. Infância, educação e direitos humanos. Cortez editora.
2-kuhlmann Jr, Moysés. Infância e Educação infantil: uma abordagem histórica. Mediação.
3-Candau, Vera Maria. Sociedade, educação e cultura. Vozes
4-La Taille, Y. Moral e ética: dimensões intelectuais e afetivas. Artmed
5-Friedmann, Adriana. A cultura de paz na educação infantil. Revista Pátio. Julho de 2006
6-Orientações Curriculares. Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas. Educação Infantil. Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.
7-Orientações Curriculares. Expectativas de Aprendizagens para a Educação Ètnico-Racial. Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio. Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

6 comentários:

eneas disse...

Bom dia, Bete.
A questão dos Direitos Humanos é crucial para o momento em que vivemos, e, em particular, para as crianças. Penso que todas as escolas de Educação Infantil tem a obrigação de incluir em seus Projetos Pedagógicos essa temática. Não é possível falar em Educação Infantil sem falar em Direitos Humanos das crianças. E lembre-se, o primeiro direito é ter acesso a uma escola de Educação Infantil (CEI ou EMEI) de qualidade. Espero que os colegas das outras U.Es não se esqueçam desse tema em seus PPP. Enéas

Aline disse...

Bom dia...

Muito boa a sua postagem..
realmente trabalhar os Direitos Humanos com as crianças é fundamental.
A escola é um lócus de suma importância para a propagação de conceitos sobre cidadania. Dessa forma, faz-se necessário propiciar aos alunos situações na qual eles possam reconhecer e conscientizar sobre seus direitos.

Aline

Solange disse...

Bete e Cris:
Vim dar uma olhadinha no blog para matar as saudades... Está lindo!
A questão dos direitos humanos é vital ser trabalhada em qualquer período da educação, e falar de direitos humanos na educação infantil e fascinante, pois o pequenos entendem como poucos as questões de amizade, solidariedade e respeito.
Beijos
Solange

solange disse...

Amigas sempre...
Como é gostoso contar com pessoas tão boas com vcs!Aproveitei o encontro de supervisão de hoje para falar do texto e quem sabe,contar com o apoio dos colegas para atuação junto às suas UEs, até porque,falar de direitos não é uma tarefa simples, como diz Drumont" Os lirios não nascem das leis". O meu carinho Solange

Elisangela Godoy disse...

É muito bom saber que existem educadores preocupados em construir um mundo melhor onde a desigualdade não exista!!!!

A partir do momento que respeitarmos nossas crianças, o mundo caminhará para uma transformação magnífica!!!

Parabéns minha irmã querida!!!!!!!!!

Elisangela Godoy

Dalva Almeida disse...

Boa tarde, Parabéns por abordar este tema tão importante e atual, ao mesmo tempo tão desinteressado pelo sistema educacional brasileiro. atualmente faço parte do projeto Educação Integral (o Mais Educação do Governo Federal), e infelizmente as escolas e seus gestores ainda não entederam quê, dentro da rela ção de oficinas oferecidas nos Macro campos, a oficina de direitos humanos é imprescindível na promoção da igualdade de direitos e respeito as diferenças, se torndando assim, uma célula de ligação entre as demais atividades desenvolvidas e posteriormente o alcance dos objetivos que se almeja que é a formação de cidadãos concientes e maduros para o futuro.