quinta-feira, 22 de março de 2012

Fazer e saberes do diretor de creche - Relato de prática

Maria Goreti de Sousa Marinho
Diretora do CEI Jardim Rodolfo Pirani

Costumo dizer que o mês de janeiro é o período que mais trabalhamos física e mentalmente.
Penso que a função de diretora, ou gestora de creche, é como de um técnico de futebol ou um maestro, pois temos que distribuir as tarefas a serem realizadas ao mesmo tempo em que precisamos estar bem próximos da equipe para acompanhar e fazer as intervenções necessárias.
O gestor da creche deve ter claros os princípios que norteiam a Educação Infantil na busca de um atendimento de qualidade onde a criança é o foco.  
Mesmo com a alteração de pessoas da equipe, no nosso caso a saída da coordenadora pedagógica e de um auxiliar técnico de educação, quem chega é acolhido e convidado a participar deste ideal através de formação em serviço.
Quem é responsável pelo que?

Diretor
§         Levantamento da manutenção do prédio;
§         Fazer um cronograma de ações junto ao prestador para conserto de equipamentos e reparos na estrutura física do prédio;
§         Cotação e compra dos materiais necessários para o início do ano;
§         Acompanhar o trabalho de todas as equipes;
§         Planejar e executar juntamente com o coordenador pedagógico da formação em serviço da equipe de apoio;
§         Preparar a prestação de conta da utilização do dinheiro público.

 

Coordenadora pedagógica
§         Inventário dos brinquedos e do acervo de livros infantis;
§         Ler todos os documentos pertinentes à formação dos professores;
§         Fazer um levantamento de todas as avaliações realizadas no ano anterior para pensar sobre as ações a serem desenvolvidas durante o ano letivo;
§         Planejar a Jornada Pedagógica;
§         Acompanhar de perto as ações dos demais setores, pois isto influencia diretamente no encaminhamento do fazer pedagógico;
§         Verificar toda a documentação referente ao PEA do ano anterior para replanejar as ações para o ano vigente;
§         Verificar os livros de Reunião de Pais e Mestres.

 

Equipe de apoio do setor de saúde

Apesar da Secretária Municipal de Educação não ter mantido no quadro de funcionários de um centro de educação infantil o auxiliar de enfermagem, a equipe gestora do CEI Jardim Rodolfo Pirani entende que é necessário um setor para fazer o acompanhamento da saúde das crianças; bem como a averiguação das carteirinhas de vacina, ministrar os medicamentos, entrar em contato com a família em caso de necessidade e enviar o encaminhamento ao posto de saúde sempre que necessário.

§         Organização dos prontuários das crianças - verificar:
Ø      Fichas de matrícula social e saúde;
Ø      Leve leite;
Ø      Carteira de vacina;
Ø      Documentos pessoais da criança e família;
Ø      Dados pessoais dos responsáveis diretos pelas crianças;
Ø      Fichas de ocorrências para registro de todos das crianças;
Ø       Autorizações diversas:
·        Transporte particular;
·        Passeios;
·        Uso de imagem para fins de divulgação da prática pedagógica;
·        Medicações.

  • Levantamento das crianças que usam mamadeira, copo de transição ou copo normal;
  • Verificar os utensílios específicos para a alimentação das crianças em todas as faixas etárias;
  • Fazer o levantamento das crianças que são amamentadas com leite materno;
  • Verificar quais as crianças que necessitam de dieta especial;
  • Encaminhar para os setores responsáveis da empresa terceirizada, bem como a gestora de merenda escolar da Diretoria Regional de ensino a receita médica.
  • Fazer o levantamento a partir da ficha de matrícula:
Ø      Quem usa fralda, chupeta ou possua outro objeto de apego;
Ø      Crianças portadoras de necessidades especiais para encaminhar documentação para o setor responsável na Diretoria Regional de Ensino;
  • Organizar e providenciar toda a roupa de cama, mesa e banho, tais como lençóis, cobertores, toalhas de mesa, embalagens para guardar os materiais de uso pessoal da criança na unidade;
  • Confeccionar roupa de cama e almofadas se necessário;
  • Organização junto à equipe docente, gestora e de limpeza na rotina de limpeza diária e semanal do CEI.
 

A equipe de apoio da secretaria e o diretor
  • Organizam prontuários dos funcionários;
  •  Fazem o inventário do almoxarifado. Tudo é contado e registrado para saber o que a unidade tem e o que é necessário adquirir para iniciar o ano letivo;
  • A organização de toda a documentação da creche, lembrando que muitos documentos devem ficar arquivados por cinco anos;
  • Organização de instrumentais novos, tais como:
Ø      Pastas de pedidos de materiais para todos os setores (os pedidos são feitos uma vez por semana);
Ø      Livro de comunicado;
Ø      Registros de ligações telefônicas;
Ø      Livro de ocorrência dos vigias;
Ø      Caderno das ligações telefônicas realizadas para celulares;
Ø      Pasta das fichas de inscrições das crianças
Ø      Pasta de controle de presença dos funcionários.

 
Equipe de limpeza
      No mês de janeiro é realizada a faxina na unidade, e tudo é minuciosamente higienizado:
  • Limpeza das salas: são lavados o teto, as paredes e o chão;
  • Remoção de toda a cera do chão da unidade;
  • Limpeza dos vidros e janelas;
  • Todo espaço externo é lavado com máquina lavadora de alta pressão.
 
Após a realização do inventário de materiais e necessidades de manutenção predial, a equipe gestora elenca as prioridades tanto de aquisição de bens consumíveis quanto permanente, bem como as readequações de espaços.
Este trabalho que inicia em janeiro vai ganhando corpo com a chegada da equipe docente e com a comunidade escolar.

Aqui acolhemos...


E somos acolhidos.


Quais as reais necessidades da creche tendo como foco a criança?

 
A partir das discussões realizadas é realizado o plano de meta que aponta as necessidades a curto, médio e longo prazo.
Conforme as verbas da Secretária de Educação, Governo Federal e a colaboração espontânea da comunidade, iniciamos a aquisição dos materiais e readequação do espaço.

Terminada esta etapa a equipe gestora em conjunto com a equipe de apoio começa a organizar o acolhimento dos professores, das famílias e das crianças; assim como preparar a adaptação que inicia no mês de fevereiro.

 


 
Este é o momento que a diretora juntamente com a coordenadora pedagógica deve realizar o planejamento da Jornada Pedagógica.
É muito importante que a equipe gestora elabore a pauta desses encontros de forma que todos se conheçam e interajam com informes, metas e propostas para o ano letivo. Os dias destinados à organização da escola para o início do ano letivo não são muitos, então, é necessária atenção especial na elaboração e execução da pauta para que as ações não se percam diante de tantas questões que devem ser pensadas e resolvidas.

sábado, 10 de março de 2012

PEA - “Tempos e Espaços que garantem os direitos das crianças”


PROJETO ESPECIAL DE AÇÃO: 

 “Tempos  e Espaços que garantem os direitos das crianças”

JUSTIFICATIVA E ARTICULAÇÃO COM O PROJETO PEDAGÓGICO

 Com a evolução das pesquisas cientificas sobre o desenvolvimento infantil, as quais apontam a enorme importância dos primeiros anos de vida para os desenvolvimentos físicos, cognitivos, afetivos e sociais dos seres humanos, a equipe  educadora percebendo as demandas necessárias para um atendimento de qualidade, vem de forma sistemática buscando através da formação em serviço e continuada aprimorar nossos fazeres pedagógicos em uma perspectiva critico –reflexiva (Shown, Dewey, Alarcão).

Após fazer um diagnóstico dos saberes da equipe docente, a leitura dos objetivos gerais do  Projeto Político Pedagógico e as avaliações institucionais do último ano, juntamente com o corpo docente elegemos a gestão de tempos e espaços  como foco de formação  por permear todos os campos de experiências propostos nas Orientações curriculares: Expectativas de aprendizagem e Orientações Didáticas que visam atender as Diretrizes da política educacional da SME e os programas especiais para esta etapa do ensino e as portarias 1566 de 18 de março de 2008 e 5551 de 24 de novembro de 2011 a qual altera o artigo 3º da portaria 1566 de 18/03/08

Objetivos

Resultados Esperados / Metas

Qualificar a prática a partir da reflexão sobre a gestão de sala de aula
Buscar uma maior coesão entre as intenções e as ações docentes;
Subsidiar a análise dos processos de aprendizagem;
Instrumentalizar no re - planejamento das ações educativas;
Perceber as possibilidades e potencialidades de cada criança
Pensar e re-planejar suas ações, intervenções e novos focos de observação e registro,
Instrumentalizar os educadores no uso de novas tecnologias como recurso de observação, registro e reflexão.



Construção uma cultura de formação na perspectiva mais critica e mais reflexiva.
Consolidação o fazer pedagógicos embasados em teorias da pedagogia da infância.




DESCRIÇÃO DAS FASES / ETAPAS: CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO / AVALIAÇÃO E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Fases /  Etapas : Cronograma de
execução e avaliação
Conteúdos formativos
Referências Bibliográficas

Março
  • Apresentação do conteúdo
  • Cuidar e educar como sinônimos indissociáveis;
  • Rotina na educação infantil

Abril
  • Rotina na educação infantil
  • Analise de rotina
  • Elaboração de rotina no CEI
  • Gestão de Tempos e espaços
Ø      Um prato cheio de aprendizagens – Momento de Alimentação

Maio / junho
  • Modalidades organizativas do brincar
Ø      Cantos de atividades diversificadas;
Ø      Inventário de cantos
  • Expressividades artísticas
Julho / Agosto
  • Práticas de leitura na creche
Ø      Roda de leitura
Ø      Roda de narração
Ø      Roda de manuseio
Ø      Roda de conversa
Ø      Reconto

 Setembro/ Outubro
  • Modalidades organizativas;
Ø      Atividades permanentes;
Ø      Atividades ocasionais
Ø      Seqüência didática

Novembro/ Dezembro
  • Parceria escola e Família;
  • Registro na Educação Infantil
  • Avaliação na educação Infantil
Adaptação e Acolhimento na Ed. Infantil

  • Cuidar e educar como sinônimo indissociaveis;
  • Rotina na educação infantil;
  • Gestão de Tempos e espaços na educação infantil:
  • Práticas de leitura na creche
  • Modalidades Organizativas do Brincar:
§         Dirigido:
§          Cantos de atividades diversificadas
§          Circuitos
  • Expressividades artísticas;
  • Modalidades organizativas;
o       Atividades permanentes;
o       Atividades ocasionais
o       Seqüência didática
  • Registro na Educação Infantil
  • Parceria escola e Família;
  • Avaliação na educação Infantil
  • Adaptação e Acolhimento na Ed. Infantil.



SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Orientações Curriculares Expectativas de Aprendizagens e Orientações Didáticas para Educação infantil. Secretaria Municipal de Educação. São Paulo:  SME/DOT 2007.
SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Tempos e espaços para a infância e suas linguagens nos CEIS, Creches e EMEIS da cidade de São Paulo. Secretaria Municipal de Educação São Paulo: SME/DOT – Educação Infantil, 2006.
SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. A Rede em rede: a formação continuada na Educação Infantil. Secretaria Municipal de Educação São Paulo: SME/DOT 2007.
SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. São Paulo é uma escola -Manual de Brincadeiras. Secretaria Municipal de Educação São Paulo: SME/DOT 2007.
Artigo: “Muitos mundos numa única sala.” de Adriana Klisys – Revista Avisalá
-Secretaria Municipal de Educação São Paulo: SME/DOT 2011  Vídeo: Leitura para bebês (13 minutos: 40).- Projeto Entorno.
Artigo “Era uma vez para crianças pequenas” de Bresciane, Ana Lúcia. Revista Avisalá.edição nº 27 de 2006.
Artigo: Uma pirueta, duas piruetas – Bresciane, Ana Lúcia
RAMOS, Janaina Silmara Silva de. ROTINA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: SABERES DOCENTES - Departamento de Educação – UFRN.
Importância especial ao sub titulo do texto: ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO: A rotina na Educação Infantil. (pág. 5 até a 10)
Artigo:” Um cuidado inerente ao projeto educativo da instituição e um indicador de qualidade do serviço prestado pela instituição” de Cisele Ortiz.
Lerner, Délia- Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Artmed 2002
Brasil. Ministério da Educação e do Desporto. Secretária de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil/Ministério da Educação e do Desporto. Secretária de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1998. 3v.: il
Volume 1: Introdução;
Volume 2: Formação Pessoal e social
Volume 3: Conhecimento de Mundo
Zabalza, Miguel A. Qualidade em Educação Infantil/ Miguel A. Zabalza; Tradução Beatriz Affonso Neves. – Porto Alegre: Artmes, 1998.
Artigos das Revistas: Avisa Lá, Pátio Educação e Nova escola



PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS


§         Problematização de práticas;
§         Analise de bons modelos;
§         Situações homólogas;
§         Análise de registro e devolutivas
§         Análise de situação educativa
§         Leitura individual e em pequenos grupos
§         Reflexão e discussão sobre o texto
§         Sistematização material analisado
§         Leitura compartilhada

ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO: CONTÍNUA E FINAL

Periodicidade, indicadores e instrumentos para registro do processo e aferição dos resultados


Periodicidade: contínua, sendo:
Mensal: considerando e indicando possíveis contribuições à prática
Semestral: considerando adequação e /ou reestruturação necessária
Final: feita por todos os participantes e equipe escolar indicando objetivos alcançados e a continuidade ou não para o ano seguinte.
Instrumentos:
Relatório: individual, em grupo e das equipes.
Registros elaborados durante o desenvolvimento do projeto
Documentação pedagógica: Artigos, vídeos, mostras.





quinta-feira, 8 de março de 2012

Pátios e parques para brincar e conviver


Maria Cristina dos Santos

“O espaço físico não apenas contribui para a realização da educação, mas é em si uma forma silenciosa de educar”.
Antônio Viñao Frago
Justificativa:
A LDB-96, ao contemplar a importância do brincar nas creches e pré-escolas,  deixa implícita a ideia de que deve haver espaço para o brincar e para os jogos e as brincadeiras.
 A Educação Infantil deve assegurar o “o direito das  crianças a brincar, como forma particular de expressão, pensamento, interação e  comunicação infantil”. Para tanto, se torna necessária a criação de espaços que  permitam atividades livres, significativas e prazerosas que possam ser realizadas  através do brincar, de brincadeiras e de jogos.
 Wajskop  afirma que “a garantia do espaço  do brincar na pré-escola ou creches, é a garantia de uma possibilidade de educação da criança numa perspectiva criadora, voluntária e consciente”.
Visto que hoje o custo para manutenção da “grama”  é de mil reais, sendo que a unidade não dispõe desta verba. 
Acrescentamos que este registro fotográfico foi realizado hoje dia 08 de março de 2012 e que a manutenção foi executada no dia 12 de fevereiro do ano vigente.

PLANO DE META

Áreas
Meta
Ações
Parceria
Período





Gestão de espaços

Parque





Melhoria do espaço físico

Reforma  dos brinquedos existentes.
Gestão escolar –
Verba PTRF
1º semestre
2012
Compra e instalação de novos brinquedos
Gestão escolar –
Verba PTRF e PDDE
2º semestre
2012
Pavimentação do parque
DRE – SME
DL
1º semestre
2012
Projeto paisagístico
Prédios e equipamentos
DRE/ SM
SME
2º semestre
2012

Parque I 




Parque II





Referências  bibliográficas:
Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária, LIVRO DO DIRETOR: Espaço & pessoas. São Paulo: CEDAC/MEC 2002
Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Parâmetros Básicos de Infraestrutura para Instituições de Educação Infantil : Encarte 1. Brasília: MEC, SEB, 2006.
Brasil. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil / Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. — Brasília: MEC/SEF, 1998.

segunda-feira, 5 de março de 2012

O politicamente correto na literatura infantil


Traz elementos para a compreensão dos caminhos da produção da literatura para crianças e jovens no Brasil em meio aos atuais processos sociais e econômicos. Aborda em especial a polêmica tendência de direcionamento da leitura e enquadramento dentro do termo "politicamente correto". Público alvo: pais e educadores e interessados em geral. Orientação: Ilan Brenman. Oficina 3. Inscrição: mediante retirada de senha com 30 minutos de antecedência, sujeita a lotação do espaço. Grátis.

Data: 15 de março
Horário: 20h
Local: Sesc Belenzinho

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Leitura para crianças de 0 a 3 ano





Vídeo produzido pelo Projeto Entorno fala sobre a importância da leitura para as crianças 
pequenas e mostra como o trabalho com os livros realizado em algumas creches da grande
 São Paulo ajuda a inserir as crianças no mundo das representações.







Para saber mais:
Como escolher boa literatura para crianças?


As dez dúvidas que surgem com frequência sobre sequência de histórias.

Ler para crianças pequenas: Saberes do Professor


Projeto Institucional: Leitura em casa: Sacola Mágica

http://migre.me/7ZLKf

 

Roda de leitura

http://migre.me/7ZLO2


Condições de um bom trabalho de leitura em creche
http://migre.me/7ZN5Q

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Como escolher boa literatura para crianças?

Buscando critérios para a escolha de livros
POR YOLANDA REYES

yolanda reyesYolanda Reyes nasceu na Colômbia, é educadora, fundadora e diretora do Instituto Espantapájaros, em Bogotá – um projeto cultural de formação de leitores, dirigido não apenas as crianças, mas também a mediadores e adultos. Especialista em fomento à leitura, consultora, autora de artigos e livros sobre o tema da leitura, é autora de A casa imaginária: leitura e literatura na primeira infância (Global, 2010). É colunista do diário El Tiempo, de Bogotá e também se destaca pela sua obra literária para crianças e jovens. Dentre seus livros publicados no Brasil, destacamos É terminantemente proibido, A pior hora do dia, Saber perder e Terça-feira: 5ª aula (FTD) e Um conto que não é reconto (Mercuryo Jovem).


Essa é a pergunta mais frequente que os pais me fazem e não gosto de respondê-la em abstrato, pois se cada criança é diferente, os pais também são, e cada pessoa tem seus gostos, suas perguntas, suas maneiras de ler... Isso sem falar nas idades, porque temos incluídos nesse rótulo que os adultos denominam, genericamente, "crianças", desde os bebês até os adolescentes.
Mas essas também são categorias abstratas, porque um bebê pode gostar dos animais, enquanto outro pode preferir flores, e uma menina de dez anos pode odiar poemas, que outra criança adora. O mesmo ocorre com os romances de aventura, ou os que falam da vida real. O mesmo com os monstros e com as fadas. Alguns gostam de contos, outros, de histórias em quadrinhos. Alguns querem muitas ilustrações, outros, letras pequenas. E isso sem falar dos momentos, porque há livros para ler à noite e outros para ler durante o dia. Há livros para chorar e outros para rir. Alguns são perfeitos para responder àquela pergunta que não sai da nossa cabeça, enquanto outros nos deixam um monte de novas perguntas. Às vezes, precisamos de uma resposta e, às vezes, precisamos de mais perguntas.
E por aí vai...
Então, não existe resposta?
Na verdade, não existe receita.
Ou talvez pudesse haver uma: para uma criança ler, só precisa saber ler.
Ler como? Ler o quê?

1. Ler para as crianças
Quem são e do que eles gostam. O que eles nos dizem todos os dias – e o mais importante: o que eles não nos dizem. O que os faz perder o sono e o que os faz sonhar. De que brincam e com que brincam, com que se divertem, o que os faz chorar. O que sentem com os livros que vêm em casa, na biblioteca, na livraria, ou na sala de aula. Quais eles preferem. Eles podem ser totalmente distintos mesmo sendo gêmeos ou sentados numa mesma carteira. Nenhum especialista sabe o que você sabe sobre essa criança concreta que espera aquele livro em particular, em um momento preciso de sua vida. Confie na sua sabedoria instintiva. Seus próprios filhos são o seu primeiro texto de leitura.

2. Ler o livro, panoramicamente

Como você lê o descritivo das vitaminas numa caixa de cereal? Usando seus critérios. Você não compra a caixa de cereais apenas porque é mais colorida ou se tiver um personagem de Walt Disney. Tampouco compra um disco sem olhar a capa e as músicas que ele contém e, muitas vezes, inclusive, pede para ouvir.
Isso que é feito na loja de discos, ou na livraria antes de comprar um livro, para você, deve ser feito quando se trata dos livros para as crianças. Não compre o primeiro que lhe oferecem. Antes de olhar se tem capa dura ou adesivos, pergunte ao livro:
a) Quem assina?
Você não compra um livro anônimo, a menos que seja a Canção do Mio Cid. Nem é a mesma coisa comprar um romance de Saramago ou de um "escritor fantasma". O mercado está cheio de livros infantis assinados por multinacionais. Como em qualquer literatura, um verdadeiro escritor de livros para crianças garante o que escreve com a sua assinatura.

b) Quem é o ilustrador?

Nos álbuns ou livros de imagens, a ilustração é uma linguagem tão válida quanto o texto. Aprenda a diferenciar"desenhos" de uma ilustração com caráter e estilo próprios. (Aqui também, a assinatura de um ilustrador é uma garantia de que alguém está por trás desse trabalho.) Você está educando o olhar de uma criança. Cuidado com os estereótipos: o sol com rosto feliz ou a típica casinha triangular. Olhe mais longe: peça a ilustração que não se limite a repetir o que dizem as palavras, que as amplie, que brinque com elas; que proponha novas leituras; que deixe um espaço para a imaginação. Os bons livros de imagem podem ser o museu de uma criança.
c) É versão original ou adaptação?
No caso dos contos de fadas, das histórias de tradição oral ou dos clássicos, o livro deve dizer se é uma adaptação ou uma versão original. É diferente ler o Chapeuzinho vermelho de Perrault ou dos irmãos Grimm a ler uma adaptação, onde pode ter se perdido a força da linguagem e a carga simbólica das imagens. Cuidado, também com os romances simplificados. Alice no país das maravilhas, de Carroll, Pinóquio, de Collodi, Peter Pan e Wendy, de Barrie são novelas complexas e muito lindas e devem ser lidas no seu devido tempo. Ler essas obras resumidas em continhos de poucas páginas é como ler A Odisseia em um resumo de escola. É melhor que a criança possa desfrutar de toda a riqueza da obra quando crescer um pouco mais. Desconfie, também, dos clássicos para adultos em versões infantilizadas. Virá, no devido tempo, o momento de desfrutar a verdadeira voz de Shakespeare ou Cervantes.

d) Qual é a idade sugerida?

A maioria dos editores oferece sugestões de idade. Leve em conta essas recomendações, porém enriqueça-as com os seus critérios. Existem livros para todas as idades; há outros sem idade. Além disso, nem todos os processos leitores são os mesmos. A idade cronológica de um leitor é apenas uma das variáveis. Coteje a sugestão da editora com o seu conhecimento e o dessa criança de verdade que vai receber o livro.

e) Que editora publica esse livro?
Além do nome, verifique a cidade, o ano da publicação, o nome do tradutor etc. Desconfie se essas informações não estiverem explícitas. Vire as páginas; leia a capa e a contra capa. Você vai encontrar dados sobre o livro e seu autor que lhe darão as primeiras pistas.

3. Envolva as crianças na pesquisa
Leve as crianças a bibliotecas públicas e livrarias. Leia com elas e companhe-as em seu processo de crescimento como leitores. Acredite na palavra da criança, mas ao mesmo tempo, ofereça ferramentas para que possa ir educando os seus critérios. Na medida em que uma criança tem contato com literatura de qualidade, ela irá refinando a sua sensibilidade e tornando-se cada vez mais exigente. Nem sempre o que é fácil, o que está na moda ou o que está no topo da lista dos "mais vendidos" é o melhor. Não se deixe, tampouco, tentar pelas coleções completas que não garantem, por si só, a qualidade de cada título. Dê liberdade de escolha, mas ofereça, também, a riqueza de sua experiência como leitor adulto. E não queira acertar sempre. Ler é também equivocar-se.

4. Busque assessoria
O campo da literatura infantil é enorme. Muitos autores, ilustradores, gêneros e tendências que não conhecemos quando éramos crianças têm enriquecido enormemente as opções de leitura. Não fique limitado ao que você leu na infância. Aproveite as crianças para descobrir novas obras e não pretenda conhecer tudo. Busque um livreiro ou um bibliotecário que conheça literatura infantil. Consulte as listas de livros recomendados, as publicações sobre o assunto e as instituições que promovem a leitura. Você vai se surpreender com as descobertas e encontrará livros, não só para ler com seus filhos, mas também para você.

5. Não confunda uma obra literária com um livro didático
Assim como você procura muito mais que ensinamentos explícitos quando lê um romance de García Márquez, seu filho busca na literatura muito mais que um ensinamento moral. A literatura se move na esfera do simbólico e apela à experiência profunda dos seres humanos. Desconfie das mensagens explícitas e das morais óbvias. O mercado está cheio de livros infantis que "disfarçam" – sob o título de "conto" – as intenções didáticas dos adultos. Aprenda a diferenciar os manuais de autoajuda das obras literárias. A literatura não pretende explicar valores, letras do alfabeto, regras de polidez ou mensagens ambientais. Leia nas entrelinhas e não escolha um livro só pelo seu tema, mas pela sua forma e pela maneira como um autor constrói uma voz e um mundo próprios. Desconfie dessa linguagem pseudoinfantil, cheia de diminutivos e de histórias light, onde os protagonistas são tão perfeitos como ursos de pelúcia. (Seu filho vai ser o primeiro a "não engolir a história".) Os livros infantis podem ser atrevidos, transgressores, irreverentes, sutis, inteligentes, tristes... Todas essas nuances, que constituem a infinita variedade da experiência de um ser humano, alimentarão o mundo interior das crianças e lhes darão as chaves secretas para descriptografar muito sobre sua própria vida e sobre as emoções, sonhos e pesadelos sobre fantasia e realidade.
Quando você for ler literatura para uma criança, deixe-se tocar pela linguagem cifrada e misteriosa dos livros. Todo o resto virá depois.

Artigo extraído da Revista Emília

domingo, 29 de janeiro de 2012

O CURRÍCULO NA EDUCAÇÃO INFANTIL E OUTRAS CONVERSAS...

"MAPA CONCEITUAL"

 por Bete Godoy

“Devemos manter uma luta crucial contra as idéias,

mas somente podemos fazê-lo com a ajuda de idéias.”

Edgar Morin

As ideias estão carregadas de significações. O mapa é a materialização destas idéias, um convite para visualizarmos e entendermos o que está sendo proposto neste momento como currículo para a educação infantil.


A partir de várias conversas com as professoras sobre os documentos, os instrumentos metodológicos, a rotina e os campos de experiências, ideias foram surgindo e provocando novos pensamentos, um deles a da interrelação e complementaridade destes conteúdos/conceitos no que diz respeito às pedagogias e as didáticas para a educação infantil.

O que tem especificidade em cada conceito/conteúdo apresentado?
Como se relacionam?
E a criança que papel ocupa neste movimento?
Como e quando os órgãos centrais participam?
O que no fazer pedagógico e no cotidiano da escola é decidido pelo poder público ou pelos educadores?
As famílias participam em que momento? O movimento é o mesmo dos demais atores?
Tudo o que diz respeito à criança e educação estão presentes neste mapa?
Existem outras linguagens que o documento não contempla?
O que ensinar as crianças se resume as linguagens infantis?
Tudo que está no mapa dá conta de fazer cumprir o papel da escola na vida de uma criança?
Como ampliar o nosso olhar, a nossa reflexão para ver, ler e pensar sobre o que não está posto?

Pensar e considerar estes elementos já nos aponta que oficialmente temos um caminho a “ser seguido” ou  “sugerido”.
Na formação o mapa foi usado com o objetivo de ser um instrumento de reflexão para que pensássemos como estes conteúdos/conceitos se apresentam e o que dele é importante ser considerado na construção do currículo da escola sem perder de vista o foco do nosso trabalho: o desenvolvimento da criança em todas as suas dimensões humanas respeitando o seu direito à infância.
Cada unidade educacional minimamente preocupada na elaboração e execução da sua proposta pedagógica precisa esmiuçar todas estes conteúdos/conceitos ao elaborar o seu projeto político pedagógico reconhecendo e respeitando a diversidade religiosa, política e cultural das crianças, das famílias e dos profissionais que nela atuam.
É possível perceber a existência de um saber no senso comum dos educadores sobre o que é currículo e que este, é determinado pela concretude do fazer diário.
Mas, como as ideias e ações se configuram, acontecem, são assumidas, verbalizadas, orientadas... ainda é algo não visível e compreensível já que muitas escolas discutem conteúdos e conceitos isoladamente, separam o pensar do fazer, a escola da vida e o pedagógico do didático.
A forma circular de “mandala” foi pensada para representar movimentos em diversos sentidos. O que existe de totalidade, integração, harmonia , ideologia... no que nela se apresenta?
O diálogo por reconhecer que seja ele o caminho para a reflexão e escolha dos educadores e das crianças enquanto sujeitos de direitos.
As linguagens propostas pela secretaria municipal de educação de São Paulo.
Os elementos permanentes da rotina para as crianças de 4 a 5 anos. Atividades que acontecem a partir de três princípios: Regularidade, Continuidade e Diversidade.
Os documentos construídos a partir da legislação vigente, das teorias sobre a criança, educação e infância.
O projeto Pedagógico como representatividade de todos estes conteúdos/conceitos construídos e traduzidos nas ações de cada um que participa da educação.
A criança: nosso compromisso social como educador da infância.
Olhar e analisar de dentro para fora e de fora para dentro em várias direções é o nosso convite!
Boas reflexões!

*Partilho estas reflexões. Não são verdades absolutas! Mas,

“Devemos manter uma luta crucial contra as idéias,
mas somente podemos fazê-lo com a ajuda de idéias.”
Edgar Morin

*Agradecimentos a Aline Marques e Patricia Helena que me ajudaram dar vida ao mapa.