sábado, 30 de outubro de 2010

RODA DE CONVERSA

Bete Godoy




EMEI RUMI OIKAWA

A prática de se organizar em roda para conversar traz inúmeros significados. A expressão por meio da linguagem oral de sentimentos, ideias, valores estão presentes em todas elas. Mas, não podemos afirmar que tenham  as mesmas finalidades e aprendizagens.
Cada uma carrega características e peculiaridades, e é importante que o professor saiba diferenciá-las para que possa fazer a melhor escolha na hora de planejar.

È muito comum reunir as crianças para informar sobre algo que está acontecendo na escola e que todos precisam saber principalmente em período de festa. A informação pode levar a pesquisa, a reflexão e ao conhecimento. Mas, pode ser meramente informação.

Em algumas situações se faz necessário conversar com as crianças, sobre o como fazer algo; o passo-a-passo de uma atividade(instruir). Este momento também é importante se queremos garantir o produto final. Um bom exemplo prático é quando realizamos atividades de culinária e mostramos as crianças o modo de fazer.
As crianças acompanham o professor executando e em outras vezes participa fazendo segundo a instrução recebida. O mesmo acontece quando reunimos a turma para demonstrar ou ensinar as regras de um jogo.
Observem que a participação das crianças nestes dois casos acima apresentados é muito mais como ouvinte e a fala apenas para esclarecimento de dúvidas. A fala do professor é uma característica bastante presente, pois, é ele quem disponibiliza as informações e instruções. As crianças têm um papel maior como ouvinte ou de realizador.

Já as conversas informais são comuns na rotina e contribuem para estabelecer afetividade no grupo, oferecendo importantes elementos e informações para que o professor possa conhecer melhor a sua turma e planejar novas situações a partir das necessidades e interesses das crianças. Permite a livre expressão sem o compromisso sistemático de avançar, esmiuçar e chegar ao conhecimento mais elaborado. Neste momento a participação das crianças falando é maior e professor tem  importante papel de ouvinte atento e de mediador  para que todos possam falar. A conversa fica mais solta é muito comum as crianças falarem sobre assuntos diversos.

O momento da conversa que se destina a investigação, entendemos investigação como busca, pesquisa, indagação com a finalidade de saber algo ou de saber melhor algo, não é comum no cotidiano escolar.
Este momento contribui para que as crianças sejam capazes de construir conhecimentos importantes para o seu desenvolvimento. Estimular para que aprendam a observar, perguntar, levantar hipóteses, imaginar, pensar e buscar comprovação é possível na educação infantil.
O professor tem dificuldade em saber como mediar uma conversa investigativa para que a num esforço conjunto possam esclarecer, esmiuçar com maior profundidade ideias e conceitos sobre algo.


Pofessora Angela
EMEI Danton Castilho
Com os pequeninos o tempo de concentração para a conversa é menor, mas não impede que o professor ajude, provoque e estimule as crianças a pesarem além do que elas já sabem.
Mediar uma roda de conversa é uma habilidade importante e que precisa ser aprendida pelo professor. Quanto mais ele planejar, organizar e fizer de tal prática,  maior habilidade terá para ajudar as crianças no momento da conversa.

Professora Ana Cristina
EMEI Danton Castilho
Reconhecendo que nossa intervenção pedagógica exerce nas crianças profundas e importantes aprendizagens há de se ter cuidado especial no ato de PLANEJAR. Com qual propósito organizamos o momento da conversa com as crianças?

Professora Mercia
EMEI Danton Castilho

Convido você leitor a retomar questões importantes no artigo anterior em que tratamos sobre: O que o professor precisa saber para garantir situações que rendem boas conversas http://migre.me/1TjiT

Apresentamos a seguir uma roda de conversa realizada com crianças de cinco anos. Agradecemos a professora e as crianças por permitirem a filmagem e disponibilizarem o material para que possa ser objeto de análise e reflexão.
 Antes do vídeo:Contextualizando
A roda de conversa (em vídeo) é parte do projeto que tem como título: Belezas do Brasil.
Em um  dos momentos do projeto as crianças colocaram que o futebol é motivo de orgulho para o povo brasileiro. Sabendo que as questões culturais influenciam nas necessidades e vontades do que conversar não foi surpresa que este assunto fosse apresentado pela turma, já que estávamos na época da copa do mundo. A professora achou o assunto pertinente ao projeto e aproveitou o interesse das crianças ampliar novos conhecimentos. 

Professora:  Genilda Viana ( EMEI RUMI OIKAWA)
Objetivos:
• Saber o que as crianças compreenderam das informações apresentadas durante o projeto.
• Conhecer mais sobre o que elas pensam sobre o assunto.
• Avançar por aproximações sucessivas em novos conhecimentos a respeito de copa do mundo e futebol.
Oportunizar um momento de conversa sobre um assunto que é de interesse das crianças.


 

BOAS PERGUNTAS PARA REFLETIR SOBRE A PRÁTICA E PROCESSOS

1.Quais os ganhos dessa atividade oferecida às crianças?

2.O que as crianças já sabem sobre esse assunto?

3.O que ainda podem aprender?

4.O que elas aprenderam?

5.Quais os encaminhamentos para as crianças que têm maior dificuldade?

6.Como provocar desafios cada vez mais pertinentes?

7.A atividade planejada está de acordo com os objetivos propostos pela professora?

8.Qual a importância do professor saber as possibilidades de boas conversas sobre o assunto?

9.Como foi a participação das crianças?

10. Como foi a participação e intervenção da professora?

11.O que a professora já sabe sobre está prática?

12.Em que ela ainda ( a professora) pode avançar sobre esta prática?

Délia Lerner afirma que não existem práticas perfeitas, mas sabemos que utilizar os bons modelos da própria unidade ou de outro local como instrumento de reflexão pode ser um caminho interessante quando o grupo está disposto a pensar sobre a prática a luz das teorias.
Ressalto  que experiência apresentada não tem a finalidade de se constituir como modelo a ser seguido, mas, sim o objetivo de análise e estudo. Diante dele, discute-se a natureza dos encaminhamentos presentes na situação didática, estabelecem-se relações com prática possibilitando o encorajamento para a iniciativa a partir dos bons “resultados” que foram observados.

Para saber mais:

http://migre.me/1Tj8v  Linguagem oral...  

http://migre.me/1Tjf9  Roda de conversa:Para que serve?

http://migre.me/1TjpF  Literatura e a criança

http://migre.me/1TnhQ  Ler para ser, sonhar, aprender...e apenas ler.

Agradecimentos:

Ricardo Vasconcelos (ATEII da EMEI RUMI) pela edição do vídeo.

Vilma Francisca da Silva pela coordenação o projeto: Belezas do Brasil -2010.

Nilza Floripes Menezes Coordenadora da EMEI Danton Castilho por disponiblizar: o texto boas perguntas para refletir sobre a prática e processo e as professoras pelas fotos de atividades de roda de conversa.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Literatura Infantil - Novas aquisições


O Nascimento do Dragão
Autor:  Marie Sellier
História, caligrafias e carimbos: Wang Fei

Ilustrações: Catherine Louis
Editora: Companhia das Letrinhas

Na China, o dragão não é simplesmente um animal fabuloso. Desde que o primeiro imperador, Qin Shi Huang, associou-se à sua imagem, o dragão foi um símbolo da realeza, do país, de seu povo, de sua força. Hoje ele representa a paz, e por isso é festejado a cada Ano-Novo.
Este livro conta a lenda chinesa do nascimento do dragão.
A história vem acompanhada de ilustrações, enfeitadas com carimbos de ideogramas, e também do texto em chinês. Ao final, um pequeno anexo fala sobre a importância dos carimbos e da caligrafia na China, ensina a ordem correta dos traços nos ideogramas e sugere um jogo da memória com as imagens do livro.


Até as princesas soltam pum


Autor:Ilan Brenman
Ilustrador: Ionit Zilberman
Editora: Brinque Book
Laura é uma garotinha (como toda criança) bem curiosa e uma das questões que mais a intrigam (e a seus colegas de escola também) é saber se as princesas soltam ou não pum. Ela recorre ao pai para esclarecer dúvida tão perturbadora, que, por sua vez, recorre ao antigo ''livro secreto das princesas'' e, com ele, a confirmação: ''sim, Cinderela, Branca de Neve e até a Pequena Sereia sempre soltaram pum!''. Mesmo diante da realidade, Laura sabe que as princesas dos contos de fadas continuam a ser as mais lindas princesas...


Os livros foram apresentados a equipe educadora. Até as princesas soltam pum arrancou boas gargalhadas dos adultos.

domingo, 17 de outubro de 2010

Do direito à obrigação: matricula das crianças aos 4 anos na Educação Infantil

Por Maria Cristina dos Santos e Bete Godoy



A creche não é um cabideiro - Tonucci (1976)

Sabemos que muitas pessoas acessam este blog que para além de apresentar práticas de qualidade e formação de professores tem o compromisso de ser um espaço de reflexão sobre criança e as políticas públicas que envolvem as instituições de 0 a 6 anos.

A partir de uma experiência vivida há alguns anos como aluna ouvinte na Faculdade de Educação da USP, compartilho minhas inquietações. Várias delas surgiram ao participar das aulas da Professora Drª Marieta Lucia Machado Nicolau que nos apresentou um capitulo do livro: Educação Infantil: Construindo o presente/ Movimento Interfóruns de Educação Infantil no Brasil, creio que o texto tanto quanto o exercício dialoga com o Fórum Paulista de Educação Infantil realizado no último dia 08 de outubro de 2010 no auditório da Escola de Aplicação da USP, cujo tema foi “Obrigatoriedade da matricula das crianças aos 4 anos na Educação Infantil”. A Professora Dra Marieta Nicolau durante a formação solicitou que levantássemos os principais entraves e avanços na Educação Infantil que creio ser muito pertinente a retomada deste exercício por colaborar com a discussão iniciada neste último fórum que contou com a presença das Professoras Doutoras Fúlvia Rosemberg, Lisete Regina Gomes Arelaro, Ana Lúcia Goulart de Faria, Rita de Cássia Freitas Coelho e muitas outras na platéia, todas em defesa da infância e de uma Educação Infantil de qualidade que respeite as especificidades de uma instituição para criança.


Assembléia do Fórum Paulista - março 2010

A Professora Rita de Cássia Freitas Coelho representante do MEC informou que este projeto será votado ainda este ano pelo atual Congresso Nacional, então, se faz urgente que os educadores da infância se articulem, estejam atentos e discutam com seus representantes para evitar que outros rumos desrespeitosos sejam legalmente consolidados.
Destacamos algumas idéias trazidas por Ana Beatriz Cerisara , Fúlvia Rosemberg e Ana Lúcia Goulart de Faria e a partir delas ressaltamos outros entraves na educação infantil brasileira como convite a outras reflexões.

Ana Beatriz Cerisara afirma que existe um hiato entre a proclamação de direitos na forma de lei e a consolidação da mesma em práticas sociais adequadas, fato que possa ser talvez explicado pelas dimensões territoriais do nosso país. Como cada Federação trata este assunto?


Fúlvia Rosemberg chama a atenção que existe um descompasso entre as propostas educacionais e as políticas públicas em nosso país. Como traduzir em efetiva ação, em encaminhamento tudo que envolve as questões educacionais? Como planejar para ação desde a compra de equipamento à formação técnico profissional? Como pensar numa ação voltada para a criança até mesmo nas universidades que formam diariamente milhares de novos professores? Em que e como as políticas públicas têm respeitado a infância da criança brasileira? Falta encaminhamento para ação!
Ana Lúcia Goulart retoma uma idéia de outro pensador que diz: para que adiantar uma escola que está atrasada? Falando a respeito da antecipação da escolaridade no ensino fundamental. Estamos apenas antecipando o muito do fracasso escolar. A grande colaboração dos educadores da infância será oportunizar as crianças vivencias e aprendizagens onde elas possam conhecer sua cultura, a origem das desigualdades sociais, a diversidade, enfim tantos outros conhecimentos para emancipação humana e ajudar a construir efetivamente uma proposta curricular para as crianças de 0 a 6 anos. Não podemos permitir a separação de 0 a 6 anos, pois, cada vez que isso acontece anunciamos a morte das crianças de 0 a 3 anos de idade enquanto política pública para a infância. Parece existir uma intenção política em desviar o pensar do fazer deixando os educadores atordoados com tantas transformações nas políticas educacionais. Assim, imobilizam a nossa ação!

Realmente há muito que se pensar e o que fazer.

Entre os principais entraves na Educação Infantil iremos ressaltar:


  •  Omissão do Estado no dever de oferecer creches e pré-escolas públicas integradas ao sistema de ensino;
  • A legislação não prevê uma fonte de financiamento específico para Educação Infantil;
  • A indefinição das responsabilidades e competências das três esferas do poder público demonstra a omissão que implica numa concepção fragmentada do Sistema Nacional de Ensino;
  • Escassez de subsídios orientadores;
  •  Limitada divulgação da produção teórica;
  • Contradição entre os objetivos (DBEN portaria 2.854 de 19/07/00 da Secretária de Assistência Social) que regulamenta outras modalidades de apoio à criança de 0 a 6 anos – possibilitando aos municípios a instituição de programas não formais de caráter meramente assistenciais;
  •  Expansão da rede conveniada, filantrópica e domiciliar (ônus do financiamento fica para sociedade) o que reforça a omissão do Estado.
  • Atendimento em creche e pré-escola insuficiente.
  • O conceito de pré-escola como preparatória para a escola volta em discursos oficiais, apregoando que, se a criança:
“for alimentada e estimulada de maneira correta, em um ambiente letrado, ela vai ter um desempenho no ensino fundamental e daí para frente muito melhor”
Avanços


     • Constituição Federal de 1998 que apresenta pela criança vez como sujeito de direito.
Evidencia a educação da infância no âmbito de direitos e garantias fundamentais em que se integram os princípios da legalidade e os da igualdade
Dimensões estáticas:  “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.

Dimensões dinâmicas:  Reduzir as desigualdades sociais e regionais.

Integra a Educação Infantil ao sistema de Educação básica (1ª etapa) Sistema Escolar Brasileiro


  • LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação
    §   Artigo 4 - A Educação Infantil (0 a 6 anos) é direito da criança, obrigação do Estado e opção da familia.
  • ECA – Estatuto da Criança e Adolescente

Permite associar educação e assistência na efetivação do atendimento global

  • Verba do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da educação (Fundeb), que inicialmente excluía a creche.
  • Documentos
Ø      Subsídios para estabelecimentos e normas para Educação Infantil.
Ø      Referencial Curricular Nacional Para Educação Infantil;
Ø      MIEIB Movimento Interfóruns de Educação Infantil no Brasil;
  •  Exercer papel político fundamental;
  • Apoio mútuo entre os fóruns;
  • Formação continuada;
  •  Mobilização e articulação nacional no campo da Educação Infantil
  • Divulgar para a sociedade brasileira uma concepção de Educação Infantil comprometida com os direitos fundamentais das crianças e com a consciência coletiva, sobre a importância dos primeiros anos de vida no seu desenvolvimento humano.

Propostas e encaminhamentos aprovados na 2ª Assembléia do Fórum Paulista de Educação Infantil


1- Envolver o MIEB na convocação dos Fóruns Estaduais e solicitar audiência no MEC com a finalidade de discutir o PNLD e outros projetos e programas para a Educação Infantil
2- Reivindicar junto ao MEC, a formalização do acordo que garanta que as famílias não serão punidas, se não matricularem seus filhos e filhas na Educação Infantil.
3- Envolver o MIEB na convocação dos Fóruns Estaduais e solicitar a audiência no CNE e com o Ministro, com a finalidade de discutir as questões de atendimento das crianças de 5 anos.
4- Discutir as questões pertinentes a profissionalidade, identidade e especificidades dos profissionais de creche

5- Discutir as questões e os impactos concernentes à privatização da Educação Infantil.

6- Discutir as questões vinculadas à gestão escolar democrática e o fortalecimento dos Conselhos de Escola na Educação Infantil.
7- Discutir junto ao MIEB e MEC as questões relativas a vinculação de verbas públicas destinadas a educação infantil, mediante o estabelecimento coletivo de prioridades.

“O PEC 59 também reduz anualmente o percentual da DRU (Desvinculação das Receitas da União). Faz-se necessário explicitar a porcentagem dos 20% dos recursos que será de fato destinado a obrigatoriedade. Faz-se, além disso, necessário explicitar os encaminhamentos sobre a destinação da DRU para a construção continuada da Educação Infantil ( CONAE -2010)” – redação encaminhada pela Profª Ana Melo.


8- Divulgação e encaminhamento do abaixo assinado em defesa dos direitos das crianças ao ensino fundamental de 9 anos nas escolas publicas estaduais de São Paulo no ano letivo de 2011


9- Aprovação dos manifestos : “Em defesa das crianças pequenas, contra o PLS 414/2008” e “Por uma educação Infantil de qualidade para as crianças de 0-5 anos”.

Concluo este artigo trazendo as palavras do Professor Dr Vital Didonet:

“A medida justa, portanto, não seria atribuir uma nova obrigação aos pais, mais insistir no dever do Estado em assegurar oferta democrática de Educação infantil de tal sorte que as famílias hoje excluídas possam tomar parte nos benefícios da Educação Infantil. E isso pode ser explicitado, na PEC, que a educação infantil é direito público subjetivo, não precisa recorrer ao princípio da obrigatoriedade.”
Para saber mais:

Aquino, Ligia Maria Leão: Artigo: Do Direito á Obrigação- Revista Pátio Ed. Infantil. Ano VIII . Janeiro /Março de 2010. Nº 22 . Editora Artmed – Porto Alegre. RGS

Organização Mundial Para Educação Pré-Escolar: http://migre.me/1BaP5

Fórum Paulista de Educação Infantil: http://migre.me/1BaVz

MIEIB (Movimento Interfóruns de Educação Infantil no Brasil): http://migre.me/1Bb7i

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Um ambiente aconchegante e lúdico para a leitura na creche

Por Maria Cristina dos Santos

Ao visitar a bienal do livro de São Paulo, o professor Andre Luiz se encantou com uma instalação de livros, um espaço lúdico e aconchegante, fotografou e trouxe para o grupo com uma possibilidade de criar um espaço parecido com aquele.
Ao mostrar a foto em um horário de formação aceitei a proposta de imediato, porém havia algumas questões para ser resolvida no coletivo:
  1. Onde poderia ser montado este espaço de forma que toda comunidade escolar pudesse utilizar?
  2. Quais os materiais necessários para confecção daquele espaço?
  3. Será um espaço permanente ou uma instalação com data de início e término?
  4. Será garantida a utilização de todos?
Alguns professores gostaram da proposta, porém onde?
André sugeriu que poderíamos utilizar um canto no refeitório, um espaço " morto", pois a porta vivia fechada e havia um vaso de folhagens; seria necessário reformular as posições das mesas e cadeira para ampliar o espaço.
No primeiro momento fui contra pela própria dinâmica do refeitório, pois afinal são cinco refeições em um período de 10h, sugeri que fosse feito na área externa.
Porém, fui  voto vencido, a argumentação da equipe de educadores tinha fundamentação monar e  desmontar o espaço diariamente causaria um tumulto desnecessário.

Passamos a proposta para a equipe educadora de apoio, pois o refeitório é um espaço onde envolve o trabalho  de todos.

Mais questionamentos:
  1. Quais os horários poderiam ser utilizados pelas crianças? Afinal havia os horários de refeição que possui toda uma dinâmica e os horários de limpeza do refeitório precisavam ser respeitados.
  2. Quais os procedimentos para a limpeza desse espaço?
Enquanto as discussões eram realizadas a Professora Lina Asano apresentou ao grupo uma outra proposta de fazer um grande painel no refeitório. A idéia é que todos professores trouxessem figuras ou elementos que remetessem as crianças aos livros lidos na instituição ela sugeriu o nome: Conte sua história.
O painel foi mais tranquilo, pois tínhamos o material.

Mãos a obra!




          

Depois de todas as arestas acertadas e comprados os matérias necessários iniciou a instalação para os livros, o próprio Professor Andre saiu solicitando empréstimos nas salas, almofadas, fantoches, dado, uma mesa para colocar acessórios e um mini palco de fantoche.
O espaço atingiu seus objetivos iniciais, um espaço aconchegante que estimula tanto o manuseio dos livros como o reconto a partir dos fantoches.


Apresentação do espaço ao Mini-grupo A



video

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Visita a Biblioteca do CEU São Rafael

São Paulo ganhou o titulo de cidade educadora em 2004 de lá para cá muita coisa mudou, algumas boas e outras nem tanto, porém a equipe do Centro de Educação Infantil Jardim Rodolfo Pirani acredita que a educação se dá também para além dos muros da escola.
A chegada ao CEU São Rafael
Em nossa instituição a leitura realizada pelo adulto, o manuseio de livros e reconto faz parte da nossa rotina, mas sabe como é a comida do vizinho é sempre mais gostosa. Nessa perspectiva os agrupamentos do BII aos Mini-grupos aproveitaram a programação da biblioteca CEU São Rafael.








Exposição de Brinquedos



Para nossa surpresa montaram uma exposição de brinquedos aproveitamos para visitá-los.


O parque

E já que estavamos lá e o parquinho estava vazio por que não conversar com os gestores para utilizá-lo, autorizados lá fomos nos brincar.
Que delicia !






Hora de voltar para o CEI


Preparar as pernas, pois é uma bela subida!

domingo, 10 de outubro de 2010

Corredor das Sensações

“O corpo se constrói junto com a personalidade. Nossos sentidos participam dessa construção.”
André Trindade

Por Maria Cristina dos Santos

Um corredor vazio. Isso me incomodava muito!
A pergunta que não calava: “Se todo espaço em uma instituição de ensino deve ser um ambiente educador o que este espaço diz?”
A primeira conquista foi à aquisição junto a Cooperativa de Reciclagem Chico Mendes de quadros de acrílicos, alguns leitosos e outros transparentes que formavam pares.



                  

Distribuímos os quadros pelo corredor,alguns foram utilizados para expor as produções das crianças e outros para a amostra de obras de artistas plásticos famosos.

              

               


No primeiro momento ficamos em estado de êxtase, afinal conseguimos um espaço fixo para exposições que não interferia nas produções. Para nossa diretora foi um grande alívio, pois a nova conquista acabaria com a manutenção de  pintura nas paredes (só quem é diretora de escola pública entende o que estou dizendo, nos preocupamos com a estética do ambiente mas temos pouca verba para a manutenção ). Outro sonho realizado foi de expor obras de artistas plásticos famosos, para repertoriar a todos que frequentam o local.Preocupamos-nos em colocar quadros de forma que a criança possa visulizá-los e também os colocamos na altura de um adulto.
Nos primeiros dias fiquei encantada.


Yasmim do BII  me perguntou:
_ Quem desenhou este pipa?
Enchi o peito e respondi:
_ Foi o Portinari
Não deu tempo de dizer mais nada, ela saiu correndo para junto de seus colegas gritando:
_ Vocês viram? O Portinari desenhou o pipa.
Com uma intimidade tamanha que deixou super feliz!

Passado os dias voltou a sensação  de que o espaço estava muito limpo, o ambiente não lembrava um espaço onde circulam crianças, não conseguia transmitir a delas mesmo que suas marcas estivessem nele  através de seus grafismos, pinturas e colagens.

 
Propus aos professores  fazer daquele corredor um ambiente educativo e lúdico. Visto que com o passar dos dias não veio nenhuma idéia do grupo  eu  decidi utilizar o espaço estimular os cinco sentidos humanos, iniciei o trabalho com a equipe educadora e batizamos o projeto de : “Corredor das Sensações”

         

Iniciamos o trabalho colocando instrumentos musicais diferentes pindurados no corredor, Quiteria da Costa Campanaro fez duas cortinas: uma a partir de fitas de VHS e outra colorida com fitas de cetim, fitilho e TNT. Os educadores Márcia Jorge e do Luis Henrique Mujica Nunes preocuparam-se em deixar um espaço vazio ao lado das cortinas  caso  alguma criança ou adulto não se sentisse a vontade de passar através delas. Para dar um ar chique fui logo dizendo que eram instalações.


Em nosso ateliê sempre haverá algo que pode ser transformado. Por exemplo uma cortina feita com bambu, que tinha o intuito de produzir sons não funcionou para o Berçário I ( 0-1 ano), devido a pouca idade as crianças não conseguiam manusea-los e o bambuns se tornaram objetos perigosos.Transformamos uma parte da cortina de bambu em um sino dos ventos com restante Audenora Ferreira Espindola fez um instrumento musical para as crianças.


              

O professor Andre Luiz da Silva teve a idéia de iluminar um espaço com lâmpadas pisca-pisca .Ele, juntamente com a professora Lina Asano Silva Ferreira que confeccionou o material, pensou em fazer saquinhos que contivessem diferentes tipos de aromas (dentro  destes havia chocolate,café,ervas,cravo,canela,etc) onde as crianças poderiam experimentar cheiros diversos.
A idéia foi tomando conta do grupo, a professora Gessilda Viana Rabelo apresentou algumas fotos da Exposição: É proibido proibir, realizado no Sesc Pompéia, que por sua vez foi elaborada com propostas de Reggio de Emilio (cidade italiana que possui  um projeto muito interessante para Educação Infantil). A mesma professora contribuiu ,também, com um cabide todo forrado com chaves, um sucesso!

            


Na semana seguinte as professoras Shirley Estela Benicio e Andreia Cristina Oliveira Bernardes trouxeram a idéia de utlizar bolinhas com uma textura peculiar que quando lançadas contra a parede acendiam uma luz.Uma delícia, porém a qualidade do material fez com que as bolinhas não durassem muito.
Nossa diretora Maria Goreti de Sousa Marinho criou um quadro representanto uma borboleta feito a partir de tampas de garrafa pets,  lindo!

Passado quinze dias pensamos em mudar o corredor totalmente.A partir da proposta de uma sequência pedagógica de artes elaborada anteriormente pela professora Lina, “Os cinco dragões”,  trouxemos para o espaço trabalhado a "sala de espelhos", ( vide fotos abaixo).

Alguns adultos conseguiram perceber que ao passar no corredor cada pessoa produzia um som diferente através da proximidade do papel alumínio.

Nossas crianças ainda estão na fase que precisam tocar nos objetos,como cita o Professor André Trindade  em seu livro: Gestos de Cuidado, Gestos de Amor :

 "o tato e visão, são sensações complementares e dependentes. A criança precisa tocar o objeto que vê a fim de compreender o que enxerga. Ao tocar, poderá dar significado às imagens captadas pelos olhos. Noção de profundidade, forma e textura constroem-se simultaneamente à imagem."
Mesmo sabendo que o material tem uma vida útil pequena, pois nossas crianças necessitam tocá-lo, acreditamos na importância do experimento.

         



As pessoas estão se apropriando deste espaço e entendendo a importância para a criança,a próxima instalação que montaremos já ganhou até um nome: Sensações, cheiros e olhares.

Meu muito obrigado a toda equipe que comprou a idéia e cada dia chega com uma nova contribuição.
 

Sensations Hallway

“The body builds itself along with the personality. Our senses participate in that construction”
André Trindade (free translation)

Written by Maria Cristina dos Santos


An empty hallway. That bothered me so much!
This question never stopped. “If every empty space in an educational institution must be a teaching environment, what does that space say?”

The first achievement was the acquisition of pares of acrylic pictures from the Cooperativa de Reciclagem Chico Mendes ( a recycle centre) , some with milky aspect and some transparent making pairs.


                  



We distributed throughout the hallway for an exhibit the children’s production and others from famous artists.

          


               


In the first moment, we were extasiated, we had finally found a permanent area for exhibits that would not interfere in the productions, and for our director it was a great relief because this would end the concern about the paint-peeling walls (this may not be understood by who is not acquainted with the reality of a public school that has low budget for maintenance and concern with appearance of the school). Another dream that came true was that we were able to expose paintings of famous artists at children’s and adults’ height in a way to recompile them. 


During the first days, I was enchanted.
Yasmin, from preschool grade II, asked me:

_Who drew this kite?

I filled my lungs with air to tell her:

_It was Portinari.

There was no more time to say anything else and she ran towards her classmates saying:
_Did you see it? Portinari drew the kite.

With such intimacy that I was very happy.

After some days, the feeling that the room was too clean, and it could not transmit the kids’ joy even with their graphic, paintings and collage expressions, it did not remind me of a space where children circulate.


I launched a proposal to the teachers: to make of that area an educational and playful space.

After some days, as no ideas came, I named the area as the “Sensations Hallway”


         
 
A few more days had passed and the teachers and I put different musical instruments hanging in the hallway, Quiteria da Costa Campanaro sowed two curtains, one out of VHS tapes and the other from satin ribbon tape, gift packing tape and TNT fabric. Márcia Jorge and Luis Henrique Mujica Nunes’s concern was to make room in the hallway area for anybody who did not feel comfortable going through it, so they would have the option to go beside it. To make it sound fancy, I said they were installations.




In our athelier, there is always something that can be transformed. An idea with bamboo that was originally made for grade I and did not work, was used to be our wind chimes and the with the remainder, Audenora Ferreira Espindola made some instruments to the children.

           
 
The teacher Andre Luis da Silva had the idea of lighting the space with blinking lights and with the teacher Lina Asano Silva Ferreira, they thought about making little bags where the kids could try new scents, and these were made by her. The idea spread through all the group, the teacher Gessilda Viana Rabelo presented some pictures of the exhibit É proibido proibir (It’s prohibited to prohibit, free tranlation), that took place at Sesc Pompéia, with a lot of ideas from Reggio de Emilio, an Italian city that presents a very interesting proposal for early childhood education. And she contributed with a hanger full of keys, a success.
        
 
In the following week, the teachers Shirley Estela Benicio and Andreia Cristina Oliveira Bernardes brought little balls with different textures as ideas, and when thrown against the wall, a blinking light would turno n, but it did not last very long.

Our director Maria Goreti de Sousa Marinho made a picture from PET bottle caps, a beautiful butterfly!

After two weeks we thought of changing the hallway completely basing ourselves on the proposal of a pedagogical art sequence called “The five dragons”, and we brought to the hallway the idea of a mirror room.

Some adults were able to notice that while going through the hallway each person produced a different sound getting closer to the aluminium foil.
Our children are at the point when, according to the André Trindade in his book Gestos de Cuidado, Gestos de Amor (Gestures of Care, Gestures of Love – free translation) that “tact and vision are complementary and dependent sensations. The child needs to touch the object that sees in order to understand what he or she sees. By touching, he or she will be able to attribute meaning to the images captured by the eyes. Notions of depth, shape and texture are built simultaneously with the image.” (free translation)

This means, another beautiful installation, but with a short lifetime. But I can assure you that with their smiles, they are loving the idea.


         



 
 

The next installation that we are organizing has already been named: Sensations, scents and looks. The idea is little by little being introduced by our team, the people are getting used to the space and understanding its importance to the child.

Thank you so much to all our team that has internalized the idea and that day by day comes with a new contribution.

                                                                    Translated by Natália  Marinho